Sobre pausas e recomeços



Tem vezes que queremos e precisamos nos afastar de algumas coisas ou atividades da vida.


Recentemente, tirei férias como psicoterapeuta (psicóloga clínica), aproveitei uma grande mudança de estado/cidade para me desligar um pouco desse trabalho. Continuei com alguns atendimentos, mas bem devagar. Minha regra era não aceitar novos pacientes e assim permaneci por nove meses, atendendo apenas as pessoas que já estavam comigo nesse tempo e encaminhando algumas pela mudança de cidade e necessidade de terapia presencial.


Nesse período de nove meses muitas pessoas me perguntavam se eu iria retornar com força total ou não.

Sinceramente, eu dizia para elas que não sabia, mas que precisava dessa “pausa”.




Nesse tempo, eu não fiquei totalmente parada ainda estava com um pé na clínica e antes desses nove meses, acredito que a partir de janeiro de 2017 eu já estava experimentando outras formas de apoiar pessoas além do contexto psicoterapêutico. Quando ajudamos as pessoas a solucionarem problemas ou conflitos elas começam a nos solicitar em várias outras esferas e situações interpessoais. Como a maioria dos meus pacientes também eram empresários como eu fui, acredito que falávamos uma linguagem parecida e eles me requisitavam para suas empresas o tempo todo. Aí, nesse período que dei uma pausa de novos pacientes eu estava atuando em conciliação jurídica (mediação), desenvolvimento humano em empresas, administrando minha própria empresa e assim por diante...


Essa pausa, junto com meu processo de psicoterapia me ajudou a querer vender tudo (clínica, casa, etc) onde eu estava e voltar para minha terra natal, parece que eu encontrei outras necessidades das quais não estava enxergando.

Foram quase seis anos construindo uma carreira profissional em um mesmo local, em outro estado. Eu já tinha atingindo a minha missão, que era ser referência como profissional naquela região, depois decidi que a clínica também seria e atingimos.


Quando comuniquei isso para o meu esposo, de irmos embora ele achou loucura, ainda jovens já tínhamos um padrão de vida legal e certo prestígio social/profissional e sabíamos que com essa mudança aquilo precisaria ser reconstruído, caso quiséssemos.


Tinha outra coisa, eu não queria deixar ninguém desempregado, sei lá não queria afetar tanto as pessoas com a minha decisão (meio repentina), arrumei emprego e oportunidade para todos que estiveram ao meu lado. Não foi muito difícil porque eles eram competentes, formamos um time legal.

Com a organização e o planejamento, o que estava programado para iniciar em junho de 2019 se concretizou em dezembro de 2018 (seis meses antes). Sabe aquela coisa de que quando você sabe o que deseja de fato, alcança? É bem verdade porque suas ações convergem para o mesmo lugar ou força e fica prazeroso.


Nesse processo, muitas pessoas me chamaram de louca, falaram que eu iria sair de uma cidade próspera que ainda tinha muita possibilidade de crescimento para vir para uma capital inflada de profissionais. Esses foram alguns ex professores e colegas, que de verdade não eram meu exemplo e inspiração de vida. Ainda bem que eu soube ouvir e filtrar as opiniões, mas segui firme no meu objetivo.


No fundo, quando eu tomei essa decisão tinha certeza que eu, meu esposo e meu cachorro seriamos mais felizes aqui. Me dava muita saudade do clima, dos amigos, da família, do Zé da padaria, do cheiro de peixe, do mar, do sotaque, ahh de tudo!